Você não precisa de um caderno

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Ao contrário do que você imagina eu não gosto de guardar memórias em cadernos, exceto fotos ou lembranças de viagens. Não gosto de guardar um diário ou assinaturas e recados de amigos, pra reler daqui 10 ou 20 anos. Mas sou fã de listas e esboços. E cartas.

Você já tentou escrever uma carta? Aquelas em que a gente usa uma caneta e um pedaço de papel, que depois será colocado num envelope e, acredite se quiser, postado nos correios.

Participo de um clube da carta, e um dia recebi uma (isso tinha que acontecer cedo ou tarde) de uma completa desconhecida que também está na lista do clube. Ela se apresentou e perguntou como eu estava. Contou o que fazia e como estava empolgada por finalmente escrever pra alguém. Eu queria responder no momento em que li, mas a pergunta “como você está?” me deu um aperto. Não conseguia escrever “Tudo bem e você?”, eu não estava bem naquele dia. Me emocionei quando tentei escrever 2 vezes em papeis diferentes “Estou bem”.

Foi tão intenso. Raras as vezes em que tive dificuldade de digitar um e-mail pessoal pra alguém, mas uma carta exige um esforço enorme da gente. Hoje já perdi a conta de quantas folhas de caderno foram enviadas em envelopes pra várias partes do mundo. Não é minha intenção ser poética, mas uma parte de você vai junto em cada carta. Não literalmente, claro. Estamos falando de sentimento, uma coisa metafisica. Imagine decepar o dedão de ok e enviar junto com a carta pra dizer que está tudo bem. Que loucura.

Isso também te deu ideias?

Enfim, antes do clube da carta eu escrevia uma espécie de diário e guardava aquelas palavras insanas nas folhas de um caderno. Me ajudou muito na época. Um dia olhei aquele caderno e senti que ele me olhou de volta com estranheza. Percebi que eu não era mais o que senti e escrevi ali, e não precisava guardá-lo pra me lembrar de quem sou hoje. Me desfiz dele. De alma lavada.

Se você acha que não precisa, ou tenta encontrar motivos pra adquirir um, te digo, você não precisa de um caderno. Você precisa do sentimento, a sensação de liberdade e desabafo que essas páginas podem te proporcionar.

8 Responses

  1. Maria Izabel Pinder

    Poxa, que coisas lindas!!!!!!
    Me emocionei.
    Como é bom fazer parte de um grupo tão seleto, de pessoas tão raras.
    Bjosssssss

  2. Fatise

    Adorei! Sempre gostei demais de cartas, escrevia também para o mundo todo, aprendia coisas que estavam acontecendo na França, Egito, Japão… Treinava os idiomas que estava aprendendo, e provavelmente por isso sou melhor escrevendo que falando! kkkkkkk E escrever uma carta é algo super pessoal, realmente requer muito mais do que um e-mail. Bom saber que ainda tem gente que gosta e tem sensibilidade de escrever a boa e velha carta!

    • Camila Mateus

      Também me considero mil vezes melhor escrevendo, Fatise. E é verdade, a troca de cartas com amigos de outros países nos ensina muita coisa sobre cultura, costumes e acontecimentos importantes.

      Sempre gostei de escrever, pena que não somos incentivados mais a isso hoje em dia. Mas pra mim a carta nunca vai sair de moda. 🙂

  3. Dana

    Texto ficou ótimo, deu uma vontade imensa de comprar um caderno! Senti falta só de um link no final me direcionando pra comprar algum no catálogo e um link lá em cima pra descobrir como eu faço parte de um clube de carta HUAHUAH

    • Camila Mateus

      Dana, verdade, não me atentei pra isso. Como já tenho um banner aqui do lado, no menu, esqueci de colocar um link direto para os cadernos. O clube que participo é organizado por uma conhecida de twitter, vou te passar o email dele e ela já te poe na lista.

  4. Luciene Mateus

    Oi, Camila,
    Somente agora tenho contato maior com seus trabalhos. Você é muito criativa, parabéns. Achei muito interessante este clube de cartas. Vc poderia passar-me o contato? Um abraço.

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